Amhaj

Para que possais trilhar a senda luminosa é preciso responder ao Chamado. Isso significa vencerdes provas, nas quais terão confirmado o vosso elo com a verdade e com a luz. Todos os seres, um dia, penetram essa senda e alcançam a Morada Celestial. Porém, eons se passam até que o ciclo se consume. Não vos intimideis frente ao mal. Não desafieis o inimigo. Não retardeis vosso caminhar pelo clamor do passado. A poeira dos tempos será lavada do vosso ser; novas vestes trajareis, e grande será o júbilo da libertação. Porém, nessa senda pisareis sobre rosas e espinhos, e devereis aprender o mistério do Bem. É tempo de justiça. É tempo de graças. Magnífico poder, o Irmão Maior se aproxima. Silenciai vosso coração e acolhei o grande amor. Tendes a Nossa paz.

Hierarquia

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Livro - Viagem por mundo sutis

Quando o homem reconhece que com as possibilidades oferecidas pela mente racional não consegue resposta para suas indagações interiores nem desvelar os segredos da vida, pode vir a descobrir o mundo dos símbolos, guardião das verdades eternas, que por meio de uma linguagem abstrata se tornam acessíveis ao homem. Este livro narra histórias simbólicas que podem ser inesgotável fonte de inspiração para quem busca trilhar o caminho interior. A depender da receptividade com que são lidas, contribuem para o contato com a verdade pura e simples, despojada das dificuldades e obstáculos que o racionalismo imprime a certos temas. Sigo a trilha das estrelas. A cada passo, chego ao destino e dele parto para mais longe avançar. Assim como o vento, cumpro uma vontade maior; assim como as nuvens, deixo-me banhar pelos raios do Sol. Nada quero e nada busco; apenas, sabendo que a Vida em tudo penetra, deixo-me viver, diz um personagem deste livro. Por essa trilha aos mundos sutis o leitor é chamado a penetrar.

Trechos extraídos deste livro:

págs. 21, 37, 38, 103, 104, 163 e 164.

Um ancião e um jovem chegaram ao início de um caminho. Recebendo a bagagem do jovem, o ancião lhe disse:

– Onde estiver vossa fé, ai estará a luz que vos mostrará o caminho. Ninguém vos poderá emprestá-la, e tampouco ninguém poderá dar os passos que em verdade vos cabem. (...)

(...) Um poderoso senhor, tendo filhos quadrigêmeos, pediu a um profeta que lhe revelasse o destino deles. E o sábio assim falou:

– Haveis visto que um ipê em cada estação se veste de uma forma. É sempre a mesma árvore, mas a cada ciclo tão diferente se mostra que nem mesmo é possível reconhecê-la. Assim são os vossos filhos; feitos de um mesmo sopro, mas cada um com sua veste.

Não é o potencial que diviniza um homem, mas a sua realização. O Espírito é a essência que habita o centro de todos os homens, porém os trajes que o revestem é que ditam o quanto dessa essência pode dar-lhe a conhecer.

A consciência não se revela por palavras, mas pelo que realiza no seu viver. Vossos filhos são como pedaços da madeira de um mesmo tronco, pintados com diversos tipos de tinta. As mais ralas deixam ver os desenhos e matizes da madeira, mas outras os escondem totalmente. E no mundo não há dois que sejam cobertos com a mesma tinta.

Os homens conhecerão a verdade e a plenitude quando já não esconderem a sua essência; todavia, em menor número que as flores de uma roseira são aqueles que chegaram a despir-se dessas capas.

Sabei que os filhos de um homem não pertencem a ele, mas ao espírito que neles habita. Um pai nada pode fazer sobre o destino dos filhos – não pode desviar seu curso, nem deter o correr do tempo. Uns lhe darão o sabor dos frutos amadurecidos ao calor do sol de verão, outros a aridez dos secos galhos do inverno, outros ainda o renascer da vida na primavera ou a nostalgia das folhas que caem no outono. Mas sabei que todos são parte da mesma natureza e portanto nada espereis, para não buscardes flores onde folhas estão a cair.

Se por vosso intermédio vieram ao mundo, cabe-vos mostrar-lhes os caminhos certos, mas não caminhar por eles. Assim, cada um chegará ao destino que lhe corresponder.

No mundo interior tudo está registrado; não há instante sequer que não esteja gravado nos arquivos do cosmos. A fé constrói a trilha que conduzirá cada um dos seres ao seio da Morada, aura do Criador, onde se restaurarão e onde encontrarão alento.

Apesar de suas inúmeras virtudes, Janari era uma jovem que, diante de tudo que lhe acontecia, enxergava apenas os aspectos negativos.

Certo dia, entretanto, ela recebeu uma ajuda especial. Estava em um bosque de grande beleza, quando sua atenção foi chamada para uma longa alameda de árvores seculares. No fim dessa alameda havia um recanto, como uma caverna, feito de árvores, cipós, ramos, folhas e flores.
Sentando-se no ralo gramado daquele recanto, entregou-se á harmonia ali existente. Viu, então, surgir ao seu lado um pequeno ser, muito tênue e esvoaçante, dizendo-lhe que olhasse para o tronco de uma árvore bem em frente.

Nesse tronco Janari viu surgir um espelho ovalado, que mostrava outro pequeno espelho refletindo a imagem de muitos homens que, um a um, nele se miravam. Cada um via seu próprio rosto, e nos intervalos entre os que ali se olhavam, o espelho permanecia em serena inalterância.

Em seguida, o pequeno espelho desapareceu e começaram a ser mostradas, no espelho maior, imagens de pessoas diferentes diante de uma mesma situação. Janari via que cada pessoa agia de um modo, e o resultado estava invariavelmente em conformidade com a atitude tomada.

O pequeno ser disse, então, a Janari:

– Vedes como a vida é feita de poucas peças básicas que, diante de um ou de outro, tomam aspectos tão distintos que a fazem parecer complexa?

O espelho foi se ampliando, até que Janari não mais discernia entre o que era imagem e o que era ela mesma. Tendo sido incluída nos reflexos do espelho, percebia que mais profundo do que aquelas projeções que tanto a impressionavam, existia Aquele-que-é, que contem toda a Realidade e sem o qual as imagens não existiriam. Janari ia mergulhando nessa consciência, e todo o seu ser se transformava.

Seres muito sutis, como o que mostrava o espelho na árvore, aproximavam-se de Janari e refaziam sua imagem em consonância com a realidade que ela no momento reconhecia. Estavam operando-a, mas sua própria consciência também fazia parte daquele grupo de “cirurgiões”. Muitos, como ela, estavam sendo tratados e aprendiam a tratar de outros, mais necessitados. A cada um era dada uma ferramenta de trabalho, que nada mais era do que uma luz de brilho radiante. A partir de então, Janari pôde reconhecer em cada situação uma chispa do Fogo Interior, origem da grande Luz que tudo permeia. E ouviu, em seu interior:

Um dia o homem poderá estar diante da sua verdadeira face e, então, liberar-se para sempre da pesada ilusão dos níveis materiais, Verá essa face refletida no sagrado Espelho que no coração do seu Instrutor Interno desvela-lhe os segredos da existência cósmica.

A vida hoje na Terra é como a escura e densa espuma de um mar carregado de detritos. Entretanto, o homem que busca o Supremo não se deve deixar iludir com o que seus sentidos percebem, nem com os embustes das forças caóticas em circulação. Tampouco a dor que sua carne poderá sentir deve abatê-lo, pois tudo passa, e Aquilo que permanece, e que desde sempre existiu, se revelará em luz e glória aos remanescentes destes tempos de tribulação.

Em águas puras e profundas reina o poder d’Aquele que não tem início nem fim, que é a Fonte de toda a Vida, Senhor de todos os universos.

Na profundeza do Oceano da consciência está a paz, a pureza e a cristalinidade de uma perfeição que aguarda o momento de emergir e transformar a face deste pequeno e devotado planeta.

(...) Os servidores de Guatasin tinham o poder sobre as águas e o dom de curar. Levavam o alimento e a vida aos sete povos do reino do elemento água, a cada habitante das suas doze cidades.tudo transcorria harmoniosamente, e entre esses povos a paz reinava.

Certo dia, porém, membros de uma tribo vizinha ali se infiltraram, trazendo consigo hábitos primitivos, e levando os seres daquele reino a se entregarem a grotescos apetites.

O que antes era comungado por homens e deuses teve então de se dividir, e as águas separaram-se, formando o Sol e a Terra. O que pôde das águas se elevar transformou-se em fogo e éter, e transmigrou-se para o sol. O que não pôde se elevar permaneceu na Terra. À água e ao ar foi dada a tarefa de levarem de volta os elementos da Terra ao contato com o fogo e o éter.

Não tivessem aqueles homens se deixado conduzir pr tão grosseiras tendências, e se pudessem ter ouvido o que lhes fora dito e tê-lo aplicado em sua vida como alimento da redenção, diversa seria a situação a que chegaram e diferente seria o destino daquele universo. Para elevá-los, foi-lhes legado um sermão que, pronunciado do alto de uma montanha, ecoou por todos os rincões da Terra:

Mais vale uma semente sagrada que germine e cresça em solo fecundo, e que pelos ares e éteres exale o perfume e os bálsamos de sua silenciosa presença, que milhões de outras lançadas pelo homem, sementes que nada mais produzem que espinhos e dor.
Todavia, atentai, pois nos dias de tribulação não haverá porta em que possais bater. Portanto, ainda antes que as trevas cubram totalmente a Terra, deveis encontrar a vossa morada e ali construir o santuário.

Essa morada está em vosso interior, e esse santuário é a vossa consciência que, em entrega, prepara-se agora para receber a Grande Presença. Escutai. Observai o sinal dos tempos. Observai e cumpri o que a Voz da sabedoria dita nos mais íntimo de vosso ser. Ouvi-a. Vós, que no passado trilhastes o caminho do Encontro, mas que vos desviastes por tortuosas trilhas, e que agora estais diante destas palavras, sabei que este é o derradeiro chamado.

Os anjos do Senhor fazem soar o toque de recolher. As forças cósmicas reúnem-se para o confronto final. Haveis de estar em vossa morada, em oração. Nestes tempos, não desperdiceis energia em lutas inglórias pelo que, como fumaça, se esvanece ante a Realidade. Buscai o eterno, buscai a vida que dentro de vós foi plantada pelo Supremo.

Se deixardes de atender ao último chamado, escutareis ao baterdes á porta: “Está casa não está aberta a vós, pois quando fostes convidados não quisestes entrar; e quando recebestes ajuda, a renegastes; e quando vistes a luz, virastes o rosto, e vos dirigistes às trevas. Escolhestes o vosso caminho. Havereis de retroceder e resgatar a chave que, noutro ciclo, vos abrirá a porta desta sagrada morada. Certamente a encontrareis, depois que, de muito perderdes nas turvas águas da ilusão material, vos voltardes para a Luz. Recolhei então a chave, se assim o quiserdes. A eternidade não nega guarida a seus filhos, mas não acolhe infiéis. Lavai-vos da traição e da soberba, e sabei reconhecer o vosso verdadeiro Senhor”.

Portanto, escutai. Não por temor, mas por entrega; não por vaidade, mas por devoção. Não por cansaço, mas na pureza de uma inabalável decisão, escutai a Voz em vosso interior e segui-a, pois a Graça abençoa, com sua dadivosa presença, a todos os que se abrem a recebê-la.

Viveis um tempo de oportunidade, o tempo do Encontro. Adiantai vossos passos nesse caminhos, e abençoada seja a vossa chegada. Nós vos aguardamos, desde sempre vos aguardamos, e seguiremos, em união, no éter celestial, no oceano infinito de amor, em cumprimento à única e sublime Vontade do Regente de todas as coisas.
Que a paz seja por vós acolhida.


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