Vamos tentar trazer ao de cima as chaves que nos permitam ter um olhar profundo em relação ao que se chama “dinheiro”, e que é, obviamente, um termo inadequado quando nós nos preparamos para permitir que desça sobre a nossa consciência uma relação com um Universo em que tudo é energia.
Esta nossa relação com o dinheiro tem orígem em níveis muito profundos da consciência do planeta mas felizmente os seres humanos estão a ser preparados, também a níveis profundos, para desenvolver uma nova consciência de fluxo, de circulação, de respiração monetária: uma percepção do dinheiro como um continuum...
Há uns anos atrás, eu e um amigo nutricionista, começámos a fazer uma espécie de desafio que consistia em elaborar um novo tipo de comida, bastante curioso em termos de proteínas, com distribuição gratuita ao público, as pessoas fariam apenas donativos. O objectivo era libertar a confecção de alimentos da lógica comercial, e portanto, tentar trazer os alimentos para o nível do serviço e retirá-los do nível cármico em que eles estão a maior parte do tempo.
Assim que nós começámos a entrar no plano prático, eu senti, em termos psíquicos, um movimento extremamente poderoso, negro, em níveis do subconsciente colectivo.
O que nós percebemos é que se esse projecto fosse além, e começasse realmente a chegar ao plano físico, alguma coisa muito escura ia acontecer. Isto foi há cinco anos. Pela primeira vez fez-se contacto, não teórico, com as forças que mantêm o jogo planetário, e a partir desse dia ficou uma partícula na nossa consciência que perguntava: “o que é que se mexeu?”
Houve uma sensação de tremor de terra, como se algo muito poderoso que está no subconsciente colectivo, pelo simples facto de passar a haver um alimento gratuito que funcionava com donativos - que é uma coisa que muitas organizações já têm, a nível filantrópico - só pelo facto de aquilo ser feito em glória, ao divino. Era um pão que era amassado, fortalecido, enriquecido com proteínas, etc., em glória ao divino, o objectivo era fazer um pão liberto de qualquer interesse pecuniário, livre de carma, e alguma coisa muito poderosa se mexeu, e nós parámos. O que é que é posto em movimento quando as coisas passam para este nível?
Quando um Logos planetário inicia um processo de expressão de todo o seu potencial divino, através de uma massa de hidrogénio submetida a forças da gravidade, arrefecendo até se transformar num planeta, quando um Logos assume esta escala e este serviço, ainda que ele esteja por detrás da tela do espaço e do tempo, os feixes das suas energias - 1º, 2º e 3º Raios - precisam de atravessar a tela do espaço e do tempo.
Quando o Logos inicia o seu acto criador desenvolve-se um processo descendente. A Sua Vontade Divina compacta-se até se transformar em potência pura, a aplicação directa do 1º Raio sobre a matéria. Da mesma forma o 2º Raio logóico impacta sobre a substância e produz coesão. Isto é, as formas mais primitivas a tónicas de amor e o 3º aspecto produz movimento, actividade, ondulação.
O princípio da expressão de um Deus local através da esfera arquitetónica de um planeta implica a erupção de forças que são como que um magma primitivo. Uma força que, ainda que a sua origem última, seja o próprio Logos, na proporção em que ela transpira através da superfície da substância em evolução, ela começa sempre por ser uma pulsão e uma erupção de potência primitiva primordial.
Se fizermos uma genealogia do que se chama energia monetária, vamos passar para as riquezas materiais, depois para a propriedade privada e a origem da propriedade privada constatamos que é a lei do mais forte - lei da selva.
A propriedade privada, a ideia de posse, vêm da lei da selva que lida com o aspecto primitivo do 1º Raio, isto é, a vitalidade sob a forma de força. Tudo o que vamos trabalhar hoje tem a ver com prana.
A primeira forma com que o prana se exprime através de um indivíduo em termos primitivos, é a força física. A origem do poder económico é a lei da selva (é uma lei natural), isto é: a Lei do Mais Forte. A energia que neste momento varre a Terra vinda de recantos altíssimos do sistema solar vai começar a expor o problema económico a leis sobrenaturais.
Poder, força, são prana.
Toda a posse assenta num acto de violência essencial que são os vulcões, as feras, o acto brutal de tomar a vida como expressão da força pura. Esse é o primeiro nível negro, básico e obscuro, e no nosso caso corresponde ao chacra da raiz, cuja função era garantir a sobrevivência e o território.
A segunda forma pela qual se deu a perpetuação do poder sobre os bens foi através do sémen, que é a hereditariedade, são as heranças. Então, nós temos um nível de prana que é força, vitalidade, que é a expressão mais primitiva do 1º Raio, e temos o sémen que é já uma diferenciação da mesma energia e portanto, um outro nível de vitalidade, é um plasma vital, não é violento, é criativo.
Esta segunda diferenciação alinha esse poder com a família, e, nesse sentido, o filho é um prolongamento do nosso ego, e desta forma, os seres humanos mantiveram o que tinham conquistado pela força, pela hereditariedade, através das heranças (eu vou-me embora mas deixo-te o produto das minhas conquistas. O meu palácio assenta sobre milhares de mortos, meu filho, eu deixo-to, administra-o bem). Entendem como isto está impregnado de carma?
Em que momento é que se passa para o terceiro nível de diferenciação? No momento em que a riqueza adquire conceitos abstractos para além do território físico que se conquistou e para além do filho a quem se passa essa riqueza. É sempre o prolongamento do ego, é sempre a lei da selva.
Isto são níveis de posse e de demarcação de território. Todo o sentido de propriedade privada e de posse assenta: 1º na violência (1º chacra); 2º no sémen (2º chacra); 3º nos bens (3º chacra). Isto é o reino maravilhoso dos chacras inferiores.
O chacra básico que consideramos o mais inferior de todos, em algum tempo do desenvolvimento da consciência humana era um chacra superior. Através da lei do mais forte, através do parentesco e através da valorização de objectos em abstracto, os três chacras inferiores criaram o seu domínio e isso fazia parte do programa até um certo estado de desenvolvimento da consciência da humanidade, isso foi útil e bom no seu tempo e no seu espaço.
O dinheiro é prana cristalizado. Para que possamos ter uma definição verdadeiramente interna e não economista ou intelectual, a vitalidade de força que eu exerci sobre o meu inimigo através da qual eu conquistei território, era prana, o sémen é prana e os bens materiais são prana cristalizado, isto é, o poder que eles têm de pôr outro ser a trabalhar para ti está intimamente ligado com o 3º Raio do Logos.
Se nós conseguimos chegar a este ponto e perceber que estamos a lidar com uma força mágica, oculta, cada vez que o dinheiro passar por nós, vamos ter consciência e não semi consciência.
A nossa relação com esta força mundial é geralmente sonolenta ou ambiciosa e o que estamos sendo convidados a desenvolver é uma relação geométrica, límpida, uma relação de 5º Raio que é o raio que põe tudo plano, e neste contexto, precisamos olhar para o dinheiro e perceber que ali está cristalizado um infinitésimo do prana deste planeta, isto é, da possibilidade da ondulação, do movimento, de fazer acontecer.
O dinheiro é regido fortemente pelo 7º Raio, tal como a violência física que está ligada ao chacra da raiz e a sexualidade, tudo isto tem a ver com densificação, com materialização, com precipitação, com expressão, com trazer para baixo, e o dinheiro é óptimo a trazer para baixo acontecimentos e consciências, isto é, o dinheiro pode fazer com que o projecto de uma ponte passe a ser um facto, ele foi o agente de precipitação, da mesma forma ele pode fazer com que a tua consciência que estava subindo para um nível alto, desça. Ele foi também um agente de precipitação só que desta vez no sentido negativo.
Está-se a lidar com um tipo de prana que uma vez cristalizado e concentrado tem um poder concretante, materializante, eventualmente para um ser refinado, esse poder torna-se negativo.
Estas três forças, não a sexualidade no sentido comum, no sentido saudável, mas a sexualidade deslocada do seu contexto especificamente humano. O dinheiro, a sexualidade e a violência estão intimamente ligados e formam a prisão do homem.
A energia monetária serviu para a precipitação, portanto, para o domínio do homem sobre a matéria, mas a forma como ele foi utilizado, fez com que, quanto mais o homem dominasse a matéria, mais ele era dominado pela matéria. A conquista do mundo tornou-se um auto aprisionamento. A aventura da descoberta do planeta transformou-se na imobilização progressiva da liberdade humana.
Quando os seres humanos querem manter o seu território (e neste caso temos que falar claramente do ego e não da persona), utilizam estas três forças.
Neste impulso ascendente, essas forças primitivas que vinham do Logos, há muito tempo cumpriram a sua função, a experiência humana é a de receber pela esquerda essas forças densas e pela direita a voz interior.
A experiência humana consiste na combinação progressiva da energia que a voz emana com essas forças densas.
Quando o Logos projecta a sua potência por baixo, ele gera estes reservatórios de força pura.
O 1º Raio no seu ponto de partida (ponto alfa), é erupção vulcânica, é magma e é violência. O 2º Raio tem a ver com a atracção não consciente, com a pura atracção de polaridades e o 3º Raio tem a ver com o desenvolvimento de uma consciência gradual do meio ambiente.
A utilização que nós damos à energia monetária é um trabalho sagrado porque através de ti, cada vez que chega um impulso de energia monetária tens vários caminhos para onde dirigir essa potência.
A violência pura (1º Raio primitivo) deverá evoluir até se transformar em vontade. O dinheiro é expressão de movimento, é energia prânica cristalizada, com isto nós estamos contribuindo para que essas potências primitivas do Logos que se exprimiram na humanidade sob a forma de violência, de riqueza acumulada, estamos a permitir que essas potências desapareçam e tu tornas-te um co-criador com o Logos.
Tudo o que é material, sólido, concreto, são trampolins, são suportes de evolução, não têm qualquer outro valor. Se eu preciso de uma folha de papel para escrever um texto, naquele momento a folha de papel é muito mais importante que um relógio, no entanto, em termos económicos, o relógio vale mais que uma folha de papel. Precisamos ver o suporte que a matéria fornece à evolução da consciência, precisamos ter uma relação com a substância, elástica, fluida, liberta.
Está-nos a ser pedido que utilizemos a substância de uma forma elástica, hidráulica, como um suporte que me leve para mais além. Há um processo através do qual nos vamos desprogramando. Neste momento, o que nos liga a uma visão material e simplista do dinheiro, começa por ter o seu registo ao nível da possibilidade de sermos ainda violentos, funciona como factor 1 que alimenta a necessidade de definir território e de nos sentirmos seguros em função de bens materiais e do dinheiro trabalhar a nossa relação com a energia monetária, e começar a ter uma consciência de fluxo com esta força, e não uma consciência sólida, é preciso dessolidificar o dinheiro, torná-lo de novo uma corrente pura de energia e não mais um conjunto de objectos e uma fonte de atracção.
Para que eu possa fazer este trabalho, preciso começar conscientemente a eliminar o medo ancestral que está registado no chacra da raiz. A seguir preciso criar na minha mente um estado de castidade mental, e se eu começo a ter este segundo nível purificado, eu começo a ter a possibilidade de purificar a minha relação com o dinheiro, com a riqueza e com os bens materiais. Esta é a gradação, começa no medo, continua do sentido de posse sexual e termina nos bens materiais, no dinheiro e na necessidade de acumular riqueza. É uma desprogramação gradual que deverá produzir uma flor nos últimos sub níveis do plexo solar, porque o medo e a violência estão primeiro.
A flor desta purificação emerge nos níveis mais altos do plexo solar e esta flor é colhida tranquilamente, misteriosamente pelo coração, e nesse momento, posso começar a alinhar-me com uma economia de compaixão. Quando o meu coração e o dinheiro se encontram, estou começando a lidar correctamente com a energia monetária.
Existem dois bancos invisíveis. Um é o banco mundial para a degradação da humanidade, o outro, o banco mundial para a iluminação da humanidade e nós somos os investidores.
O poder económico mundial não está integrado à energia do Cosmos, ele ainda é filtrado por chacras abaixo do coração.
