Amhaj

Para que possais trilhar a senda luminosa é preciso responder ao Chamado. Isso significa vencerdes provas, nas quais terão confirmado o vosso elo com a verdade e com a luz. Todos os seres, um dia, penetram essa senda e alcançam a Morada Celestial. Porém, eons se passam até que o ciclo se consume. Não vos intimideis frente ao mal. Não desafieis o inimigo. Não retardeis vosso caminhar pelo clamor do passado. A poeira dos tempos será lavada do vosso ser; novas vestes trajareis, e grande será o júbilo da libertação. Porém, nessa senda pisareis sobre rosas e espinhos, e devereis aprender o mistério do Bem. É tempo de justiça. É tempo de graças. Magnífico poder, o Irmão Maior se aproxima. Silenciai vosso coração e acolhei o grande amor. Tendes a Nossa paz.

Hierarquia

Thursday, November 3, 2011

Livro - Além do Carma

À medida que o ser humano cresce em consciência, sua compreensão acerca da lei do carma vai mudando. Deixa de vê-la como mero instrumento para compensar erros cometidos no passado e reconhece-a como meio infalível para realizar a meta superior da vida. Passa a notar que a lei do carma está presente em vários níveis da existência e que age de diferentes formas; é então que vem a cooperar com ela de maneira inteligente. Já não é apenas ator no próprio destino, mas colaborador efetivo da evolução, um verdadeiro criador.


Trechos extraídos deste livro: 



páginas. 9, 10, 17 a 23, 30, 31, 32, 33, 35, 40, 41, 42 e 43.


(...) Embora em vários países do Oriente informações sobre essa lei sejam bem difundidas, seu ensino foi praticamente excluído da cultura ocidental. As noticias e comentários diários transmitidos pelos meios de comunicação de massa atestam quanto ela é ainda ignorada em geral. Assassinatos, roubos, acidentes, vitórias, festejos, encontros e disputas seriam enfocados de outra maneira se a lei do carma fosse levada em conta, pois quem a conhece sabe não existir o acaso e tampouco vítimas, culpados ou motivos para perplexidade diante de qualquer fato.

Como segundo essa lei tudo procede do que foi algum dia semeado, podemos compreender que a miséria, a escassez e as hostilidades advêm de más ações, ao passo que a verdadeira prosperidade é fruto de obras benéficas. Nessa ordem de idéias, também é útil saber que muitas coisas negativas podem ser evitadas ou reorientadas conforme nossa atitude.

Mas apesar de a lei do carma regular o destino, há fatos que não podem ser atribuídos só á sua atuação, como certas enfermidades manifestadas por seres de evolução elevada. O câncer de Sri Ramana Maharshi, bem como as moléstias de outros instrutores espirituais e de pessoas no caminho da santidade, por exemplo, estão além desse âmbito; nesses casos, os males podem ser um serviço por eles prestado, um labor oculto silencioso em suas células físicas que repercute de modo benéfico e purificador no carma de toda a espécie humana.

Todos os átomos existentes provêm de um único “reservatório”, e ao virmos à encarnação atraímos uma porção deles para formar nossas células e constituir nossos corpos; assumimos assim parte do carma geral dos átomos do planeta. Da mesma forma, o trabalho de purificação que pudermos fazer em nós reflete-se nesse “reservatório” quando os átomos lhe são devolvidos ao término da encarnação. (...)

 (...) A lei de causa e efeito, ou lei do carma, pode ser sintetizada na conhecida frase “O homem colhe o que semeia”. Segundo essa lei, as ações, os sentimentos e os pensamentos produzem efeitos que retornam a quem os gerou a curto, médio ou longo prazo. Assim, o que é vivido hoje determina o futuro, e por isso em alguns idiomas pouco filosóficos costuma-se empregar a palavra destino para traduzir o termo sânscrito karma ou karman, embora ela não seja adequada, pois o termo sânscrito engloba conteúdos mais amplos, como, por exemplo, o impulso ao surgimento da moral.

Pela sua precisão e clareza, a lei do carma é sobre maneira simples, tanto de compreender como de levar em conta em nossa vida diária. Foi uma das primeiras apresentadas à humanidade. Podemos ver um dos seus aspectos mais primários na Bíblia, quando Moisés afirma: “Olho por olho e dente por dente”, e um dos seus aspectos mais avançados no clássico Bhagavad-Gîta, epopéia escrita nos primórdios da Índia, cuja personagem, o Príncipe Arjuna, descobre a liberdade que advém de agir sem apego aos frutos da ação.

(...) Quem busca o caminho espiritual se dispõe à manifestação do bem, da verdade e da beleza no próprio ser e no universo. Contudo, a mais elevada expressão da harmonia intrínseca à vida requer plena liberdade, a soltura de todos os laços que ligam a consciência à matéria, mesmo os positivos. Para isso, é necessário mais que boas ações equilibradoras de atos negativos: é preciso neutralidade ao agir.
Na realidade, caminha-se para a verdadeira libertação não só praticando o bem e assim semeando futuro promissor, pois isso produz laços positivos. A libertação vem do desapego por tudo o que se faz, sente ou pensa. Embora essa condição marque uma adiantada etapa evolutiva, há quem se esforce para alcançá-la, apesar de o meio ambiente em geral instigar o envolvimento emocional e mental com o que se passa dentro e fora das pessoas.

Observa-se que a lei do carma visa ao contínuo progresso rumo à harmonia. Sobretudo por meio do serviço ao bem universal, desinteressado de resultados. Para atingir tal meta, a via mais direta é essa neutralidade.

Quando a pessoa já não tem apego a nenhum ato, positivo ou negativo, pode transcender as ligações com os fatos e, portanto, com a lei do carma. A recomendação de “estar no mundo sem ser do mundo”, feita por Jesus, sintetiza essa almejada situação.

A aranha cria seu universo sem se atar a ele, tece sua teia sem nela se enredar. Mas o homem, ao construir sua vida sobre a Terra, comumente mistura-se nela, apega-se ao que faz e cria. É como se estivesse preso em um aposento e uma pequenina vela fosse toda a luz de que dispõe. Vê de modo difuso e faz muitas experiências em sua tão querida prisão. Tece sua teia com pensamentos, sonhos, desejos e objetivos pessoais. Assim constrói a própria vida, mesmo não conseguindo ver o verdadeiro desenho desde sempre planejado para ela. Fica emaranhado nos fios.

Mas, em dado momento, esse tecelão ouve dentro de si a ordem de destruir sua amada teia. É quando começa a treinar o desapego, a desatar os laços antigos e a evitar a criação de ligações supérfluas. Ingressa por fim no caminho de retorno aos mundos de onde um dia partiu como pura consciência.

A lei do carma nada mais é que um aspecto, material de uma lei abrangente: a Lei do equilíbrio, que rege a inteira existência.

A Lei do equilíbrio está em tudo: desde o pulsar dos diminutos átomos até o das estrelas. Expressa-se de diferentes modos, em diferentes âmbitos, sempre levando os seres à realização. Até agora, o ensinamento espiritual da humanidade terrestre precisava dar muita ênfase á sua expressão mais concreta, a lei do carma, pois era uma das diretrizes primordiais da vida na superfície do planeta.


A Lei do Equilíbrio pode ser percebida em diversos níveis:
– Regendo a existência externa dos seres e sua evolução nos limites da vida planetária nesse caso é denominada lei do carma;
– Regendo a interação dos seres com a vida do sistema solar – nesse caso é denominada lei evolutiva superior;
– Regendo a interação dos seres com a vida cósmica – nesse caso expressa-se de outras formas mais puras.

O âmbito de atuação da lei do carma compreende os níveis densos dos universos. Desde o pequenino universo de uma célula até o de grandes galáxias estão, em nível material, sob a sua regência. É uma lei exata, perfeita; mantém o equilíbrio nesse nível. Na humanidade, governa, sobretudo os que não despertaram para o mundo espiritual, abrange toda a sua existência externa. O grau de envolvimento com o mundo concreto, a força dos laços criados com ele, é o que indicará quanto esse aspecto material da Lei do equilíbrio estará predominando na determinação do curso de sua vida.

A lei do carma exprime-se na Terra de maneira específica, tomando quase sempre caráter negativo porque o ser humano, valendo-se do livre-arbítrio, costuma fazer escolhas considerando em especial suas próprias necessidades e desejos individuais. Em raros casos tem em vista a necessidade geral de algum aspecto do plano evolutivo. Devido a isso, cria mais débitos que créditos cármicos e pouco equilibra esse estado de desarmonia, pois não é neutro a ponto de não continuar formando vínculos.

Para o homem comum, a lei do carma é instrumento de purificação e a “escola” em que aprende a usar o livre-arbítrio. Era necessário um instrumento assim, preciso e de certo modo infalível que pudesse acuradamente proporcionar o retorno e suas ações, em geral contrárias aos ritmos superiores do cosmos.

Enquanto o ser humano tenta às cegas construir sua existência terrena, a lei do carma o acompanha como um mestre de infinita sabedoria; enquanto devasta áreas do planeta em proveito próprio e inconscientemente se lança ao prazer e ao deleite, a dor e o sofrimento – agentes da lei do carma – são os meios mais adequados para o seu ensinamento. Esse método sensitivo esteve sendo aplicado para a sua evolução desde os primórdios, e dele faz parte o caráter compulsório do nascimento e da morte física, pois uma só encarnação não seria suficiente para equilibrar tantas ações pouco sábias. (...)

(...) Estamos continuamente criando carma – positivo ou negativo – transformando-o, ou dele nos liberando, segundo nossas atitudes. O trabalho com o carma, por conseguinte, deve ser feito durante toda a nossa estada na Terra.

Todo indivíduo tem uma carma básico, de que faz parte a data do nascimento e a da morte, encontros e acontecimentos importantes durante a encarnação, a ausência ou a presença de doenças congênitas, acidentes graves e outras ocorrências marcantes. A partir do carma básico, que preexiste ao próprio nascimento físico, o indivíduo vai construindo a trama da própria vida e, como conseqüência, tornando sua trajetória mais árdua ou mais fácil. O carma básico deve ser, em princípio, totalmente aceito; só depois dessa aceitação é possível melhorá-lo.

No aprendizado que a lei do carma oferece, as dádivas são também provas: é preciso saber usar com correção os dons e bens que nos são entregues pela vida.

Quando desperdiçamos os recursos de que dispomos, sejam eles materiais, sejam intelectuais, sejam espirituais, geramos carma restritivo, o que redunda em escassez desses recursos na mesma vida ou numa futura, em prejuízo das tarefas que nos cabem.

Como tudo está incluído numa Consciência Única, fonte de toda manifestação, não há detalhe que não deva ser considerado na busca do equilíbrio e da harmonia. Tudo o que nos cerca e tudo o que somos precisa converter-se em instrumento de serviço e ser utilizado de maneira adequada. Nesse sentido, a água, a eletricidade, o alimento, o dinheiro, o transporte, o labor, o sono, a palavra, o sentimento e o pensamento deixam de nos pertencer e passam a ser vistos pelo que na verdade são: expressões dessa consciência onipotente.

Os débitos cármicos são criados pelo ser humano por ele aparentemente desligar-se da Consciência Única e identificar-se com as suas partes e com a temporalidade. Em princípio, a maioria das pessoas não tem sido libertada do condicionamento terrestre pela lei do carma devido a seu despreparo em lidar com duas forças antagônicas à evolução: a força do desejo pelo supérfluo e a da ilusão de que o nível físico é a realidade única ou a mais importante. Só com a neutralização dessas forças a vida pode ser menos restringida pelo carma e tornar-se, em conseqüência, mais livre. (...)

(...) Com a reencarnação, os novos veículos – o etérico-físico, o emocional e o mental – quase não têm memória consciente do que se passou nas vidas anteriores, nem das decisões tomadas além da esfera material. É no corpo da alma, que não é denso como os demais, que está registrado de maneira lúcida esse novo impulso e clareza de propósitos. Na maioria dos casos, o indivíduo ao reencarnar não tem noção do que realmente veio fazer na Terra. Isso pode ser notado pela vacilação que se apodera de muitos diante dos rumos a tomar na vida.

É assim que oportunidades de equilibrar faltas passadas são pouco reconhecidas, sobretudo porque não costumam condizer com as aspirações humanas e superficiais da pessoa, influenciada que está pela hereditariedade como pelo meio ambiente. Situações em que deveria prestar serviço aos demais e ter compreensão (e não rejeição) pelas fraquezas alheias não são bem aceitas por ela. Encaradas como incomodas, deixam de constituir possibilidade de crescimento de consciência e posterior liberação.

Esse desconhecimento das decisões evolutivas tomadas entre uma encarnação e outra vai-se dissolvendo quando a alma, amadurecida, guia a personalidade, iluminando-a com sabedoria e compaixão. Sempre que um contato com a alma é estabelecido, a possibilidade de essa luz chegar à consciência externa faz-se notar, e é cada vez maior quando da parte dessa consciência externa há empenho e receptividade. (...)

(...) Quem se empenha em evoluir deve aprender a ter paciência e a aprofundar seu sentido de observação. Em certas fases da vida pode acontecer de a pessoa pensar que não está progredindo ou que nada de promissor lhe está sucedendo, embora esteja trabalhando para isso. Entretanto, não é bem essa a realidade. Pelo fato e dedicar-se com seriedade á evolução e de estar por isso sendo intensamente transformada, muitos eventos previstos no seu destino básico podem ser suavizados ou deixar de ocorrer. (...)

(...) O vínculo cármico entre pais e filhos reflete-se diretamente no seu processo evolutivo. Se o ser humano fosse mais receptivo às leis espirituais, seguiria a sábia orientação que vem delas e reconheceria que apenas uma mínima parcela da humanidade deve procriar. No entanto, não é isso o que acontece, e considerável número de seres vêm ao mundo despreparados, atraídos pelo denso magnetismo dos contatos sexuais entre pessoas que não estão prontas para educar outras e apoiar seu crescimento.

Nos tempos presentes, o processo de encarnação de uma alma apresenta algumas peculiaridades. Cada vez mais esse processo se desorganiza devido à promiscuidade sexual generalizada, ao número crescente de abortos provocados e à grande quantidade de pessoas que procriam sem querer. Nos planos internos da vida deixou de haver o ritual dos nascimentos.

Enquanto até há algum tempo os nascimentos eram organizados levando-se em conta grupos de almas que deviam estar juntas por várias afinidades, hoje esse escalonamento equilibrado já não é possível na maioria dos casos. São tantas as oportunidades de fecundação (incluindo artificiais), que ficou impraticável manter nos planos internos da existência uma alma pouco evoluída sem interferir no seu livre-arbítrio, já que as portas do mundo material lhe são abertas pelo ato promiscuo e ela é naturalmente atraída pela extrema densidade em que se vive nesse mundo.

A procriação em condições contrárias ao progresso espiritual pode, em certos casos, tornar mais lenta a evolução do ser que encarna e também a dos pais por toda a vida. Nesses casos o nascimento está comprometido desde suas bases, e a energia espiritual encontra obstáculos para vitalizar os corpos que receberão a alma encarnante; nos pais, essa energia interna recolhe-se ainda mais. Daí tanta incompreensão e aridez durante os anos de convívio, tanta miséria e abandono.

Grande número de seres poderia passar por curas enquanto desencarnados, e pesado carma é gerado pelos casais que os trazem prematuramente ao mundo material, despreparados. Tal carma pode repercutir, por exemplo, em esses pais nada mais conseguirem desenvolver de maneira adequada daí por diante.

A falta de consciência em relação à procriação, a herança genética familiar e o carma engendrado em centenas de encarnações são fardos que em determinado momento se tornam pesados demais.

A vontade e a aspiração pessoais nem sempre podem aliviar tal carga, e há casos em que nem mesmo a energia do ser interno tem condições de removê-la de todo. É que, de certo modo, o ser interior também tem de seguir os ditames da lei do carma em tudo o que se refere aos níveis externos. Assim, só auxílios superiores, transcendentes, podem mudar algumas situações.

Mas, em que se pese estarmos em tempos de tanta desordem, nunca esses auxílios estiveram tão disponíveis. Isso se deve a que, como veremos logo adiante, se preparam agora na Terra profundas transformações que virão à tona em plenitude em tempos vindouros, mas que já se anunciam.

Os auxílios vêm quando a pessoa decide de fato mudar de atitude e não mais deixar-se levar por experiências que, embora pareçam sem importância e passageiras, podem trazer desequilíbrios para o resto da vida. Além disso, os auxílios vêm quando a fé é depositada na realidade suprafísica, e não só em aptidões pessoais. Enquanto a pessoa se apóia apenas em seu potencial humano e, sobretudo enquanto segue sua própria forma de resolver os problemas, não está na verdade aberta à ação da Graça – ação que a tudo é capaz de transformar.



Download do Áudio sobre este livro: http://www.irdin.org.br/acervo/detalhes/3258



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