Amhaj

Para que possais trilhar a senda luminosa é preciso responder ao Chamado. Isso significa vencerdes provas, nas quais terão confirmado o vosso elo com a verdade e com a luz. Todos os seres, um dia, penetram essa senda e alcançam a Morada Celestial. Porém, eons se passam até que o ciclo se consume. Não vos intimideis frente ao mal. Não desafieis o inimigo. Não retardeis vosso caminhar pelo clamor do passado. A poeira dos tempos será lavada do vosso ser; novas vestes trajareis, e grande será o júbilo da libertação. Porém, nessa senda pisareis sobre rosas e espinhos, e devereis aprender o mistério do Bem. É tempo de justiça. É tempo de graças. Magnífico poder, o Irmão Maior se aproxima. Silenciai vosso coração e acolhei o grande amor. Tendes a Nossa paz.

Hierarquia

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O Óleo e A Chama


“Existe a Chama e existe o óleo.

A Chama – divindade suspensa dentro e acima de nós – é o símbolo a vida de seu próprio plano, os mundos ardentes.

Ela é soberana e livre no seu próprio reino: expansão e novas altitudes sempre renovadas, plataformas inexauríveis de Realidade perfeitas em contínua formação.

A Chama existe acima do óleo em glória e deleite cósmico, como um pássaro perfeito, hermético na auto-contemplação de seu profundo mistério.

O óleo nasce do misterioso e vasto lagar do psiquismo humano. Ele nasce e refina-se no processo humano de gradual entrega ao Divino.

A Chama não nasceu nunca, não tem idade: um Olho Intemporal, uma imperativa e suprema Palavra de Fogo.

A Chama pertence e reina nos mundos ardentes.

O óleo nasce lenta e laboriosamente na intercepção entre o mundo subjectivo da experiência interior e as Câmaras internas de Aspiração Ardente – na fixação secreta de estratos progressivos de Amor-sabedoria-compaixão do grande Fogo, segregação inclassificável da oculta e inconsciente oração do mundo.

Se a Chama vem de Deus, o óleo é a verdadeira e única oferta do Homem ao Infinito. A sua capacidade de dar ignição no mundo ao mais alto de todos os Fogos.

A Chama vem de Deus, como um Deus ela mesma, prístina e heólica, um arauto da Permanência Cósmica Central, um guerreiro da inalterância.

A Chama existe acima do Homem num planar livre e auto-suficiente. Soberana, irradiando a sua luminescência esfíngica e enigmática a Chama permanece acima do Homem, imprevisível, indeterminável e transcendente – o tesouro do alquimista, o vôo arrebatador do místico, o mistério tremendo do gnóstico, a Lei Imutável do ocultista, o Amor Maior do poeta espiritual.

O mundo existe pela Chama, contudo a Chama nada deve ao mundo.

A Chama existe em completude, elegância e perfeição. O mundo oscila entre crepúsculo e obscuridade, meias verdades e erros totais.

“E se o mundo se deve elevar e atingir uma condição final, última, cada nova tracção, cada novo impulso, cada nova revelação transformadora é feita através do óleo sagrado de um Homem em total rendição ao Supremo.

Pode a Chama descer ao mundo? Pode o mundo ser erguido à Chama?

Sim. Esse é o Planalto de vastas operações que a humanidade em breve irá desvelar.

A Chama desce ao mundo através da mediação sagrada e do poder subtil do óleo.

Na aproximação ao mundo a Chama dança e o anunciar da Última Forma, a dança da Última Terra, a dança do fogo sólido.

O refinamento do óleo é o cântico do mundo, a dança das formas, a alternância entre dor e alegria. O refinamento do óleo é a segregação do mundo, a razão de ser das coisas múltiplas – o produto de uma existência progressivamente consciente.

Estando além da forma, contudo, na sua aproximação ao mundo, a Chama anuncia uma forma culminante, a Dança da Terra Última, a dança do Fogo Sólido, a perfeição da matéria.

O óleo – combustível sagrado da combustão espiritual profunda – é o resultado da alquimia da força-vida em nós, da mole de força-mundo que é lançada contra nós, em nós, através de nós, da potência da vontade-de-ser do Homem cumprindo o seu próprio ego e, superando-se, alçando a níveis além-ego, além mundo.

Contudo, ao elevar-se, o Homem é transformado em um vaso de Chama, e mais além, é transfigurado na sua identidade cósmica, permitindo que a Chama, através dele, se revele ao Universo Exterior.

E assim a Chama transubstancia o Abismo Molecular.

Nossa elevação tem como efeito retroativo a geração de canais de descida do Divino.

O eu psíquico é a face da alma que encarna – pois a alma tem uma outra face, o eu superior, que permanece acima da consciência de vigília. Assim o eu psíquico é um prolongamento da Luz-Paraíso a partir da Centelha Divina presente em cada ser humano. Um prolongamento na direcção das formações exteriores, formações emocionais, mentais, físicas.

As sínteses progressivas de fragmentos desconectados de experiência, a cultura oblíqua de uma Verdade Cósmica emergente e a doçura, compaixão e abnegação que o eu psíquico manifesta a cada passo são um lagar onde o óleo sagrado é espremido e refinado.

O refinamento dá-se, principalmente, por absorção de forças obscuras e reenvio dessas forças de novo à sua origem, purificadas e reordenadas.

O discípulo em refinamento e preparação para a combustão sagrada, é um Coração-Dínamo, um Coração-Estrela, um Coração-Verdade. A ele chegam correntes de mentira e ilusão, de magma primordial ancestral e de semi-verdades.

Finalmente, repetindo em si a Grande Verdade Oculta – ele ordena o caos. Dele partem correntes de luz límpida, de tonalidade cristalina, de simetria exacta, de penetração profunda e de potência dourada, formações autorizadas de Amor-cura, de Amor-paz, de Amor-consciência.

O resultado desta alquimia refina o óleo da união com o supremo Ser dentro de si e, automaticamente, purifica , purifica o mundo.

O mundo e a sua espantosa e contínua contradição de luz e sombra, entre semi-verdades e crueldade óbvia, entre momentos de ternura e compromisso e a sua negra crônica quotidiana fornece o cenário onde o grito emergente da alma por uma realidade Maior necessariamente amadurece, evoluindo de apelo incipiente a contínuo clamor.

O poder da alma encarnada para clamar pelo seu Senhor é imenso. O senhor virá quando o chamamento for contínuo, a nota tímbrica oculta for exacta e o cântico-chamamento estiver vibrando em um planalto claramente espiritual.

O discípulo avançado é uma encarnação desse contínuo clamor por mais Vida, mais Luz, mais Realidade.

Ao eu psíquico corresponde a tarefa de conscientemente refinar o óleo sagrado que alimenta a união. Ele deve concentrar o chamamento interior num único ponto, numa única idéia, num único facto profundo, um único valor alvo.

Os focos emocional e mental devem estabilizar-se num mesmo ponto de converxão e atracção de todas as energias psíquicas em torno de um mesmo pólo de máxima vigilância, máxima tensão, máxima consciência.

A oração-activa, enquanto momento especial, ritual, de união com o Divino, deve dar lugar a um estado contínuo de abertura ao alto.

O fim da oração activa anuncia o nascimento do Ser-Templo.

O refinamento dá-se, justamente, pela rejeição gradual de todo o elemento estranho à pura adoração da Vida Divina. A cada purificação consciente emerge uma nova resina preciosa, elevando a qualidade do óleo. A cada passo de superação de um apego ou de um cenário ultrapassado mais se perfuma o óleo da união interna.

A cada insinuação da força-mundo e da vontade-vital em seus múltiplos disfarces o eu psíquico aprende a absorver Amorosamente o conflito, a confusão, a incompletude e os hiatos na continuidade cósmica e, sem julgamento, sem postura absoluta, sem rigidez, mas movido pelo Amor à perfeição, à única realidade, movido pelo Amor das coisas realmente grandes aprende a elevar essa obscuridade. Essa matéria prima da cruz do mundo, no altar da oferta de si ao Supremo.

O sofrimento e a dor por si mesmos não podem elevar o ser humano ao Divino – se assim fosse o mundo estaria saturado de seres iluminados – pelo contrário, é a capacidade de, centrado no planalto olímpico da compaixão, o Homem poder compreender, iluminar e transformar a dor em luz, o medo em Amor e a violência em união.

Quanto de cada um de nós é necessário dar, quanto Amor invisível, quanta sabedoria – a ressonância Supramental do Amor – é necessário conquistar em nós mesmos para que estes nódulos de incomunicação possam ceder e dar passagem à luz?

Verdadeiramente grandes são os seres que ancoram em si a operação da alquimia do mundo. E, ainda que se aproximem da condição semi-divina de Atlas, eles cultivam a consciência de que são apenas canais de reversão do processo de decisão cósmico.

“A Vós, ó Fonte e Origem Supremas, entrego a obscuridade, a dor e a inverdade do mundo. Nas Tuas mãos entrego a massa obscura e inerte, a vaidade e o ódio, a longa espera dos povos e o desespero de tuas criaturas. Nas Tuas mãos entrego toda a dor que chega a mim, bem como o meu próprio tormento e vazio, nas Tuas mãos entrego a sombra que invade Tua criação.”

Assim, ora o eu psíquico, na noite profunda, no lagar do óleo sagrado. A cada abnegação, a cada silêncio construtor, a cada nova verdade vibrada no éter, a cada palavra de paz e mansidão se opera a alquimia do combustível da união. O refinamento prossegue.

A Pura Presença tudo dissolve, tudo cauteriza, tudo cura. A Pura Presença tudo renova, tudo transforma em luz. Ela contêm o segredo das múltiplas dualidades. Ela contêm o segredo do mundo enquanto processo evolutivo.

Na Pura Presença tudo se transforma em aumento de potencial. A dor, a tristeza e a alegria, tudo se revela como escola de um vasto panorama cósmico. Em Deus todo o desencontro reemerge resolvido na consciência como uma nova potência hidráulica, como uma mola de ascensão.

Para o quê virá a Chama? A Chama vem para iluminação e libertação do mundo. A Chama vem como um emissário que elimina o tempo e estabelece o princípio da PAZ UNIVERSAL.

Como pode a Chama ancorar no mundo, se o mundo evolui pelo tempo, se o mundo aprende pela dor, se o mundo proclama a dualidade?

È a contínua aspiração e silenciosa dádiva de si que permite que a Chama ancore no mundo. Ancore através do peregrino. O nosso trabalho, enquanto eu psíquico é realizar e refinar esse óleo.

Em linguagem bíblica o óleo é chamado “o azeite da lamparina”. Na psicologia esotérica chama-se o “Caminho Longo”.

A vinda do Senhor é a Chama, que subitamente acende o pavio. Conhecida como “o “Caminho Curto”.

O Caminho Curto – refinamento do óleo – é um trabalho de construção.

O Caminho Curto – a invocação da Chama do Deus Interior – um relâmpago de auto-revelação. Um instantâneo de luz, verdade e poder, envolvido pela absoluta realização de que somo deuses em transito pelo espaço-tempo: somo gigantes adormecidos, olhos dormentes sob a insciência da substância.

O Caminho Longo é uma construção e um refinamento que é vivido nos corpos da personalidade humana. O Caminho Curto começa com uma realização transcendente no plano mental superior, com impacto directo sobre a personalidade.

Não é possível existir Caminho Curto sem um prévio percorrer do Caminho Longo, pois o relâmpago da auto-revelação não vem apenas para o deleite e deslumbramento do místico mas para a conquista e soberania absolutas sobre a antiga natureza humana.

O relâmpago da auto-revelação – a Chama – necessita de descer abaixo do mental superior e instalar-se no centro de resposta de cada veículo humano – físico, emocional e mental.

Numa primeira fase a nossa vida – acções, pensamentos e motivações – deve ser de tal forma vivida que invoque a chegada da Chama. É uma etapa de aspiração e chamamento interior.

Numa segunda fase nossa existência deve permitir que a Chama permaneça após chegar. Tudo o que é vago, medíocre, grosseiro e anti-divino será eliminado pela própria presença da Chama, desde que a nossa entrega seja completa.

É uma etapa de entrega e sinceridade: Nesses momentos, ainda que verde a lenha humana é seca pela intensidade da Presença.

Numa terceira fase é necessário que a Força Divina descendente tome conta dos corpos, não apenas ao nível da inibição, rejeição e expurgo do que é velho e superado, mas como uma potência de total reconstrução da natureza dos corpos, uma revisão cósmica da substância e devir dos próprios veículos humanos. É uma etapa de Iniciação e transfiguração.

A cada Peregrino o cosmos pede que cuide das condições que permitem à Chama permanecer ancorada no reino humano.

Se a Chama se aproxima e o ser não fez o Caminho Longo seria como tentar acender uma lamparina que não tem óleo: a Chama pode inclusive ser intensa, mas será necessariamente breve.

Por outro lado se o ser que está percorrendo o Caminho Longo, persiste estritamente no processo de Caminho Longo, com sua contínua auto-análise, auto-referenciação, e lenta alquimia – ele poderá bloquear a descida do fogo interno, única realidade que finalmente dará sentido ao óleo que ele tem estado a produzir.

O refinamento do óleo e o poder de combustão implica o limar das arestas que nossos corpos apresentam a cada momento. Ninguém vai fazer isso por nós. É um trabalho ligado à vigilância, à humildade, à bondade, à coerência e à integridade. Trata-se de assumir uma postura absolutamente nua e autêntica perante nós próprios.

O quotidiano – na verdade, simplesmente a forma como o universo se nos apresenta a cada momento – é um processo de refinamento interior. De refinamento das preciosas resinas da psique.

Subitamente dá-se o advento da Chama. Este acontecimento inesperado indica que o refinamento da psique atingiu um grau exato.

Mas, qual é o grau exato?

Segundo um ancestral adágio esotérico o caminho para Shamballa é o caminho da inofensividade total: ahimsa.

O Coração Gentil – inofensividade total – acontece no seio secreto da mente, no núcleo onde os pensamentos germinam, no centro profundo onde as meta-ideias ganham forma: não à superfície, mas na consciência profunda, na total ausência da compulsão de ferir, da compulsão de competir, de ofender. Na verdade, ahimsa é a completa irradicação do potencial de magoar, seja em que nível for.


O Coração Gentil deve chegar a um nível de profundidade e amadurecimento em nós que supere inclusive a actividade glandular e genética: deve sobrepor-se a todos os mitos da mente dual.

O Coração Gentil acontece, assim, em níveis radicais da relação do ser consigo mesmo, em níveis reais e não nos níveis epidérmicos das demonstrações superficiais.

Enquanto existir em nós o potencial de magoar os outros, enquanto não renunciarmos ao nosso armamento secreto nosso comportamento permanece submetido a trevas psicossomáticas, nosso óleo é uma mistura de medo e luz, um produto confuso.

Como se disse acima, nestas condições o Pai pode aproximar-se, mas de uma forma intermitente: Ele vem para nos estimular e depois retira-se.

Nossa aura, nosso pneuma psico-ativo e magnético, em seus múltiplos níveis, é o nosso espelho.

O inconsciente – tanto o superconsciente como o subconsciente – projecta-se em tempo real, na aura.

Um ser irradia exactamente a contraparte energética do estado de consciência por ele alcançado. A cada polarização de nossa consciência corresponde um conjunto de vibrações, uma molécula de energias e forças, uma conjuntura de Raios.

O ser não irradiará a energia do seu ser interno enquanto níveis do seu inconsciente tiverem projectos secretos.

O Coração Gentil implica também a eliminação desses projectos secretos, o aprender a viver de forma transparente, porém totalmente, radicalmente, profunda.

Começamos a irradiar a energia do ser interno na proporção em que o inconsciente é iluminado por uma total ausência de necessidade de controlo dos outros seres e das outras criaturas: nessa proporção, a luz unificadora, a síntese viva, a Chama, pode habitar em ti – permanentemente.

Actualmente, numa etapa em que a necessidade de auto-superação e serviço mundial é imensa, contingentes mais avançados da humanidade estão sendo preparados para não reagir emocionalmente á diferença entre agradável e desagradável, entre recompensa e ingratidão, entre fraternidade dimensional e solidão.

No caminho que conduz às estrelas o fogo do coração deverá ser alimentado ao ponto de absorver as escalas psicológicas humanas e anulá-las num mesmo Amor- luz, numa mesma vontade-visão, num mesmo sentido de participação na Obra Universal.

Motivações psicológicas, fundadas em nossa necessidade de reconhecimento e gratificação, ainda que aparentemente legítimas em outros contextos que não o espiritual, devem se ir tornando gradualmente inexpressivas – ao ponto de nossa transpiração vibratória ser simplesmente uma tradução psico-energética do puro Amor divino.

Existem sentimentos desconhecidos. Uma inteira paleta de dor e alegria que não responde ao psiquismo humano mapeado.

A vida psíquica de um Iniciado, e mesmo de um Discípulo, é matizada por tonalidades desconhecidas da psicologia acadêmica actual, difíceis de descrever segundo parâmetros estáticos como as tonalidades psíquicas fixas pela astrologia convencional e pelos métodos analíticos em geral.

Como descrever a “lágrima de prata” de El Morya? A “loucura santa” de Francisco de Assis? A oceânica hiper-sensibilidade e massiva visão de Sri Aurobindo? O trabalho invocador de liberdade e Re-Génese frente ao abismo da matéria inerte emitido por Mira Alfassa? A intoxicação divina de Anandamoyee Ma? O temor terrível de Teresa de Ávila ao ser visitada por Cristo? A doçura no meio da batalha descrita pela Agni Yoga?

A elevação do planeta é a elevação do Homem. A vibração de um planeta é completamente condicionada pela média da polarização da consciência colectiva de suas humanidades residentes. Por isso a consciência colectiva é fortemente condicionada pelo número de iniciados encarnados em uma humanidade.

Onde a humanidade tiver pousado o seu pensamento e o seu coração ai está a sendo definida a natureza do mundo.

A necessidade do humano condicionado à forma deve gradualmente dar espaço á Presença Maior do Divino Portador de Vida.

Espírito significa ousadia, risco, entrega de si a um princípio mais alto. Sendo a entrega feita com sinceridade, o que conta aos olhos das Hierarquias é o acto da entrega, o facto oculto e ígneo que é colocado em movimento no processo de entrega, não as conseqüências.

Sábia e misteriosamente o Universo organiza-se para nos proteger de nossa própria ingenuidade: se colocamos os pés na senda sagrada sem ter uma motivação e uma sinceridade totalmente espirituais, os nossos avanços são meros saltos, movidos por impulsos superficiais de descoberta e emoção.

Alguns farão uma errância espiritual passando de escola em escola, de ambiente em ambiente, de instrução em instrução, movidos pela necessidade inteiramente psicológica de alternância e contraponto.

Outros procurarão o espírito como um sistema de privilégios, como um sistema de defesa, como uma panacéia para descompensações emocionais, ou abertamente como uma arena vital.

Mas o universo profundo afastar-se-á deles, e ate mesmo o que em tempos foi verdadeiro contacto parecer-lhes-á uma miragem.

O aprendiz no caminho – na verdade todos nós – deveria com a mão esquerda aperfeiçoar a qualidade de sua capacidade de combustão perante uma Chama Pura, e com a mão direita cultivar a consciência de que ele mesmo, em dimensões superiores é a própria chama e que na Eternidade Chama e óleo são um.

Assim, com sabedoria, com equilíbrio e com consciência que o Universo é simultaneamente mistério transfigurador e lenta aprendizagem, podemos percorrer simultaneamente o Caminho Longo e o Caminho Curto. Eles não se excluem mutuamente, mas completam-se.

Triste é a condição daquele em quem a Chama vem mas o óleo secreto não foi acumulado, assim como ignorante é a situação de um ser que, tendo trabalhado o azeite toda a vida, mantêm os alforges carregados mas fechados ao total abandono de si nas mãos do Supremo.

Por um lado de que serve a descida de uma Chama que não tem onde arder? E por outro lado de que servem inúmeras qualidades e capacidades, frutos de um paciente trabalho sobre o ego, se não forem colocadas totalmente nas mãos do Divino?

Se aquele que se empenha em se aperfeiçoar aprendesse também a se entregar, desenvolvendo a ciência da auto-superação, do esquecimento de si, a Chama inexoravelmente desceria e ele seria elevado a planos superiores de consciência e de vida. Em muitos seres indiscutivelmente virtuosos o alforge está repleto, mas compacto e opaco à luz transcendente.

O sinal de um Caminho Curto – a invocação consciente da Chama – percorrido sem um verdadeiro processo de Caminho Longo é visível nos seres que se tornam duros e frios com seus semelhantes, pretensiosos e arrogantes em seus postulados espirituais, tornam-se um deus com pés de barro, exibindo uma distância que é indiferença e uma altivez que apenas traduz pobreza psicológica e simplismo existencial. Aspectos imaturos são romados por qualidades espirituais, e o misticismo rapidamente degenera em escapismo. Esses seres são, geralmente, inconseqüentes ou, se conseguem projectar-se para o exterior, tendem para um inflexibilidade e tirania que é oposta a verdadeira sabedoria trazida pela iluminação.

O sinal de um Caminho Longo – a maturação consciente da personalidade – percorrido de forma auto-centrada numa moral horizontal, excluindo o Caminho Curto, é a pura e simples estagnação. Cada vez que ser insiste numa atitude de caminho Longo, quando seu Eu Superior lhe está pedindo silêncio, entrega e auto-transcendência – realmente auto-esquecimento, a síntese do ser no Supremo – confirma ainda mais a força de fronteira dos seus próprios alforges, orbitando virtudes e defeitos, topografias psicológicas e atmosferas emocionais.

Estes negadores do Caminho Curto podem iniciar inconscientemente um perigoso processo de estagnação pois constantemente contabilizam o seu Caminho Longo, continuamente se apegam á dor de seu aprendizado, tendendo a fazer equivaler iluminação a oligarquia, pois constantemente revêem o quanto já andaram ou deixaram de andar, perdendo a consciência de que tudo o que andaram aconteceu pela pura graça do Divino.

Através de uma progressiva, inteligente e dedicada centragem da consciência no Supremo Ser, através de uym seviço gradualmente mais refinado em seus motivos e objectivos reais eu vou produzindo o óleo sabendo que uma Chama sagrada aguarda “centímetros” acima do meu ser.

Se o óleo for puro, se o meu “Caminho Longo” for feito com humildade, com método, no silêncio, procurando níveis de verdade interior cada vez mais altos, a Lei do Cosmos afirma que a partir de um certo momento o contacto definitivo é inevitável: A Chama desce e a lamparina acende.

O Divino pode escapar indefinidamente de todas as redes com que o queremos apanhar, mas não da rede do Amor e da verdade interior.

Assim Chama e óleo se encontram e o mundo é elevado.

Porque , na verdade, existe uma terceira coisa, um terceiro mistério, um terceiro agente.

Um terceiro atende que nasce do trabalho divino – ao qual o próprio Divino não se pode furtar.

Algo supremamente misterioso e oculto falta ao Universo, existe um hiato, um elo ausente, uma dimensão secreta, emergente, espantosa.

Uma terceira coisa: Algo que o mundo não suspeita e que a Chama conhece em potencial – mas que A espera.

E esse terceiro agente apenas emerge quando a Chama e o mundo se unem. Nesta suprema união o resultado não é mais o mundo, nem a Chama, nem o mundo e a Chama, nem o mundo unido à Chama.

É mais, É além. É acima. O casamento da Chama com o mundo através do óleo realiza no Todo Universal o Drama da Grande Emergência.

O resultado é a emergência do Supremo, o rosto do Divino, triunfalmente transpirando através da Matéria Matricial.

Para além do espírito, para além da substância: uma terceira realidade. Uma terceira realidade ainda por conquistar.

Outra realidade, a síntese.

A Síntese é a face do Supremo ficada num plano de ultimidade, de culminação, de soberania de todas as funções cósmico-activas.

O Supremo é uma função de deidade desconhecida, desconhecida até mesmo da Chama.

O Supremo é um facto, uma acção divina, um poder totalmente desenvolvido nos Oceanos da Eternidade, mas está em processo de vir-a-ser, em processo de conquista, em progressiva emergência nos nossos Universos Alfa-Omega.

O Supremo está acertando os universos evolucionados, espaço-temporais, com o relógio-signo Ómega da Eternidade.

Cada um dos teus actos – amplos ou microscópicos, oceânicos em conseqüência ou aparentemente negligíveis – é um peso ou um contrapeso nesta operação universal – a emergência do Supremo.

E isto é a resolução do mundo.

O discípulo sincero é tomado por uma avassaladora urgência: a necessidade imperativa de RESOLVER O MUNDO.

Em todos os sentidos ele deve ser ponderado e cuidadoso, progressivo na acção e sóbrio na expressão, mas na busca de RESOLVER O MUNDO ele deve tornar-se divinamente louco e apaixonado.

Cada uma das suas acções é crucial para a deflagração final, por isso a sua vida – e cada alento nela – é sagrada.

Nós, homens de pó por um lado, homens de luz azul-cobaldto por outro, homens de dor, homens de encantamento e êxtase, nós somos os ancoradouros e os reveladores da Terra Última.

Não mais o Divino acima e os átomos abaixo, mas uma Dourada Sólida Divindade conduzindo um veículo cósmico de átomos despertos em radioactividade benigna.”

(Terra Última, p. 455-471)

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