Amhaj

Para que possais trilhar a senda luminosa é preciso responder ao Chamado. Isso significa vencerdes provas, nas quais terão confirmado o vosso elo com a verdade e com a luz. Todos os seres, um dia, penetram essa senda e alcançam a Morada Celestial. Porém, eons se passam até que o ciclo se consume. Não vos intimideis frente ao mal. Não desafieis o inimigo. Não retardeis vosso caminhar pelo clamor do passado. A poeira dos tempos será lavada do vosso ser; novas vestes trajareis, e grande será o júbilo da libertação. Porém, nessa senda pisareis sobre rosas e espinhos, e devereis aprender o mistério do Bem. É tempo de justiça. É tempo de graças. Magnífico poder, o Irmão Maior se aproxima. Silenciai vosso coração e acolhei o grande amor. Tendes a Nossa paz.

Hierarquia

Saturday, December 3, 2011

A única coisa necessária


Vivemos numa época em que pouco ou nenhum apoio psicológico e material é encontrado em instituições, sociedades e estilos de vida, quaisquer que sejam. Até hoje, estruturas externas davam respaldo suficiente para os indivíduos, a ponto de eles se descuidarem do encontro com a verdadeira fonte de segurança no interior de si mesmos. Principalmente a partir deste último século. Porém, o apoio que tais estruturas davam ao homem começou a faltar, e hoje nada mais lhe resta do que buscar o centro da própria consciência, ou ‘’a única coisa necessária’’, no dizer dos livros antigos.

Nos últimos milênios, a Terra atingiu seu mais alto grau de densidade física. Isso aconteceu não só com o planeta físico,mas também com todos os seres que nele vivem e têm o seu ser nessa dimensão. A partir dessa condensasão extrema, chegou-se ao materialismo quase generalizado, que se viu e que se vê ainda hoje, intensificado em todos os setores da vida humana. Tendo, porém, atingido essa densidade máxima, o planeta tenderá a desmaterializar-se gradualmente, obra que durará milhões e milhões de anos. A tal densidade, correspondem as estruturas que mantinham as pessoas ‘’seguras’’ no lado material da vida; à desmaterialização que tem início corresponde a quebra dessas mesmas estruturas.

Dizem os livros antigos que, quando o mundo atinge uma grande decadência aparente, algo muito maior do que o mundo, em consciência, manifesta-se nele. Seguindo essa lei, há dois mil anos uma grande força cósmica encarnou num homem e’’caminhou sobre a Terra’’. Naquele tempo jesus – como era chamado esse homem – ia de cidade em cidade e hospedava-se em casas de conhecidos. Um dia parou na casa de duas mulheres, Marta e Maria. Lofo que chegou, ambas demonstram íntima alegria por recebê-lo, cada uma tomando a atitude que lhe era mais característica: Marta pôs-se a lidar, a limpar a casa a preparar alimentos, ao passo que Maria sentou-se, recostou a cabeça e ficou sem silêncio, junto ao recém-chegado. Como a lida era grande, Marta perguntou a Jesus se aquilo era justo: ela a trabalhar sozinha, enquanto Maria contemplava. Jesus respondeu que Marta fazia muitas coisas, mas que Maria fazia a única coisa realmente necessária.

Essa mensagem nos dá a chave da compreensão para uma ação verdadeira, que nenhuma relação tem com inércia. Sem desmerecer a tampouco anular a atividade externa em si, também necessária, a referida história simboliza uma atitude real diante dos fatos da vida. A necessidade premente de quietude, de silêncio e de privacidade, que quase todos sentem profundamente hoje em dia, provém do centro inferior do homem, raramente buscado em virtude dessa atividade contínua à qual quase todos se entregaram na época moderna.Vivemos sem pausas sem equilíbrio entre os momentos de ação exterior e os de recolhimento interior.

Aquela que se sentou aos pés do viajante,interiorizou-se sem se isolar dos demais. Qual é, então, essa solidão tão necessária? Que é esse silêncio, imprescindível para o equilíbrio do ser?

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Pelo que parece, havia em Maria uma ação profunda e dinâmica, ao permanecer quieta. Enquanto Marta agia externamente, dando mostras da sua laboriosidade, Maria desidentifica-se do que se passava no exterior. O que Marta não percebia é que parte da sua força de ação poderia estar vindo da quietude dinâmica de Maria, sentada ali perto; e que a energia gerada dessa forma poderia coligar-se com a do viajante, realizando assim outro tipo de trabalho, não externalizado em ações propriamente físicas. Anônima, quieta e não evolvida com o que a outra estava realizando, Maria trabalhava invisivelmente.

Dessa ação interior vem uma união com a totalidade da vida, e nessa totalidade todos são ‘’um’’. Sendo assim, é como se estivesse ‘’só’’, porém, numa dimensão de solidão que não significa separatividade, mas unidade ainda mais perfeita: ele, o indivíduo, ‘’está nos outros’’. A transição de uma vida exteriorizada para uma vida equilibrada, onde esse processo superior tem início, não se faz por caminho rápido e fácil. Grandes caminhadas, porém, sempre começam com um primeiro passo, e aqui procuramos estimular aqueles que estiverem abertos para dá-lo.

A época é propícia para isso. Conforme vimos, como nada que vem de fora pode trazer-nos soluções reais, permanece a alternativa de se tentar ‘’a única coisa necessária’’. Vejamos, então, como começar a transformar nossa mentalidade, pois nesta época é na mente que começamos a fazer as reformas mais profundas.

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Chamamos ‘’trabalho’’ aquela ação feita com algum motivo humano específico, qualquer que seja. É trabalho, inclusive, o que fizemos por motivos que consideramos espirituais ou evolutivos, pois também esses são humanos. Desse ponto de vista, tudo o que tenha algum direcionamento, mesmo que elevado, é ação como a de Marta. Ainda que muito útil e positivo, tal ação, isolada, não é suficiente para os dias de hoje, como se vê na prática da vida.

‘’Serviço’’, diferente de trabalho, não provém de um interesse prático por algum resultado específico. Serviço, que é a fluência das energias superiores em nós ou através de nós, é o que Maria deixava acontecer em si, aberta e desinteressadamente. Ao fluírem de forma livre, essas energias supramentais irradiam, agem e ajudam conforme a REAL, necessidade do momento e das pessoas.O importante é que essa abertura seja feita para a glória da Vida Única, que irá usá-las como quiser.

suprafísica.

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Neste ponto da evolução humana é preciso fazer certo esforço e ter certa concentração para sair desses esquemas viciados da atividade interessada em resultados, do trabalho que tem apenas metas humanas. Transmutá-lo em ação livre, que acontece como consequência dessa abertura inocente, entregar o próprio ser às energias superiores, assim como ele é, em uma oferta íntima, silencioasa e secreta – eis a chave para se compreender nossa época e o modo de servi-la.

Certa manhã, ao despertar, a influência de uma forte inércia pesava sobre mim. Percebi que essa inércia não era apenas minha, e também que, para saná-la, não bastaria fazer exercícios físicos, mudar a alimentação ou jejuar naquela manhã; algo mais teria de ser feito. Ali mesmo onde estava, sem lançar mão de nenhum recurso especial, concentrei-me e entreguei-me totalmente à Inteligência e à Sabedoria que regem o Universo, por mais abstrato que isso pudesse parecer. Insisti, porém, com calma e tranqüilidade. Poucos momentos depois, a vitalidade havia retornado e todos os níveis conscientes e a atividade externa fluíam corretamente: conversas telefônicas, redação de textos e encontros com pessoas.

A forma que o trabalho toma, o timbre de voz com que se fala, e tudo o mais, é manifestado pelas energias que descem dos níveis mais altos, e determinado pela necessidade do momento, que elas conhecem perfeitamente.

Tudo o que se consegue fazer ordenadamente no plano físico acontece não apenas em função do que se pôde planejar e compreender previamente, mas também em função de um grande mistério, que é revelado à medida que as pessoas vivem e se desenvolvem. Há um lado misterioso da manifestação da vida sobre essa Terra, algo que imperiosamente vai descendo, novo e inesperado, moldando todas as formas. É, portanto, imprescindível que, quando nos dispomos a servir, nossa ação seja desinteressada. É fundamental saber cumprir um programa elaborado com profunda reflexão e, ao mesmo tempo, saber mudá-lo em vista de acontecimentos inesperados, desde que sejam vitais e evidentemente trazidos para suprir necessidades reais daquele momento. Essa maleabilidade só pode ocorrer quando não se tem motivo ‘’humano’’ para agir; quando se admite a própria limitação em captar a ‘’razão profunda’’ da existência das coisas. Assim, vê-se a Terra transformar-se; as ações, os sentimentos e os pensamentos se amoldarem à necessidade que pouco a pouco se torna evidente, que é a necessidade de expressão da própria Vida Única.


Como tal expressão dá-se também através dos seres humanos, a Vida Única cuida da realização evolutiva de cada indivíduo, como se para ela aquele fosse o mais importante. A beleza desse processo está em cada qual considerar-se, nos momentos de lucidez, ‘’um privilegiado’’, e sentir-se por ela tratado ‘’especialmente’’. Não há, porém,privilegiados e tampouco amados especiais: a Vida Única é assim com todos, ainda que poucos o percebam.

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Uma das conseqüências que advêm da interiorização e solidão, como as de Maria, é um grande sentido de gratidão. Certo dia, eu estava agradecendo por tudo o que o Único havia feito em mim, quando fui por Ele levado a ter uma perspectiva mais correta: se Ele sou Eu, e se Eu sou Ele, que agradecimento seria cabível? Vi então que estivera vivendo um sentimento pueril, em parte bem sentimental, apesar de bonito. Que fazer, então, num momento tão importante para a minha personalidade, que estava reconhecendo a ‘’presença’’ de energias divinas, e necessitava agir, dirigir-se a elas, falar-lhes alguma coisa?

Imediatamente tive a resposta:ficar quieto. Ela não me veio, porém, através de nenhuma voz que falava,mas da compreensão de que aquela era a única atitude cabível no momento. Na medida em que assumia, compreendi que estava ‘’agradecendo’’. Esse tipo de gratidão, através do silêncio, simples abertura para o centro da própria consciência, leva-nos a nis sentirmos ainda mais participantes da Vida Única, onde não há quem dê, nem quem receba, já que Deus não está dando, e nós tampouco recebendo. Compreendemos que somos parte de um Todo, e a ação, o pensamento e o sentimento que surgem daí são inconcebivelmente dinâmicos e inseparáveis. Como se pode conceber um dar-e-receber dentro de uma coisa que é única que não é divisível?

Pus-me certa vez a traduzir um livro, e não havia meios de fazer o trabalho correr bem. Pedi a colaboração de amigos, mas ainda assim o texto não tomava a forma correta. Perguntei-me, após algum tem´p, para que estava traduzindo-o, e percebi que o fazia porque gostara do livro, porque amava o que o amor expunha, e porque sentia certa alegria em transmitir para outros o que fora bom pra mim. Como porém havia chegado a hora de modificar minha própria atitude da atividade, aquela tradução não ficava adequada. Dispus-me então a traduzir um livro qualquer, porém para a glória da Vida Única, e veio-me a seguir nova reflexão: traduzir um livro qualquer? Você quer fazer traduções, ou você quer servir?

Após tantas peripécias, que se passavam no íntimo e no plano físico também, joguei fora finalmente tudo o que havia feito, libertando-me de todo aquele material. Vi que o conteúdo que a mim causara impacto, a partir dessa ação desinteressada, não me impressionava mais; e que as pessoas precisavam ler, sim, não porém aquilo que me havia agradado tanto. Se eu continuasse a insistir nesse ponto, provavelmente estaria ainda dando arremates naquela tradução,ou teria sido responsável pela publicação de um livro que a ninguém iria interessar.

Somente após ter renunciado a traduzir, após ter renunciado a prestar um serviço por satisfação própria ou por algum motivo humano,pode-se ver bem claro o que é para ser feito. Com este texto que vocês estão lendo aconteceu algo semelhante. Se eu tivesse, por antecipação, direcionado mentalmente o que aqui foi exposto, provavelmente estaria agora escrevendo algo acadêmico ou excessivamente programado. Mas o roteiro inicial foi mudando; o texto básico, fornecido pela gravação de uma palestra pública, foi aos poucos sendo colocado de lado; e os personagens de Marta e Maria originaram uma reflexão que diz respeito a todos nós no ato de SERVIR.

Cada um de nós é Marta e cada um de nós é Maria, ao mesmo tempo. Encarnados nos níveis físico, emocional e mental, temos necessidades de tarefas ligadas à ação exterior; somos, portanto, como Marta, o ser humano; mas todos temos de, ao mesmo tempo em que agimos humanamente, decidir pela única coisa necessária: a abertura para a energia superior, íntima, que vem do centro do nosso próprio ser, combinando-se depois com energias que vêm de fora, do planeta e do universo.

Há perguntas que nos podem ajudar nesse processo de esclarecimento, perguntas que se fazem para o próprio ser:

‘’Qual deve ser o meu serviço atual?’’

‘’A quem devo ajudar?’’

‘’A qual aspecto do plano evolutivo devo dar maior ajuda, neste período, ou neste preciso momento?’’

A partir dessas perguntas, tão simples e diretas, e que constam de livros clássicos escritos para os aspirantes espirituais, poderá vir uma forte impressão de que, amarrados por todos os lados, não estamos realmente livres para esse serviço puro e desinteressado. :Faz-se então outra pergunta básica, ligada à necessária libertação:

‘’Quais as coisas não-essenciais à vida, às quais não devo mais prestar atenção?’’ Eis aí uma importante chave para que a ação desinteressada, não mais impedida pelo supérfluo, possa ter lugar em nossa vida. O que poderia ser considerado supérfluo? Seria impossível fazer uma lista geral de supérfluos e de reais necessidades, pois são relativos, e mudam de um indivíduo para o outro. Entretanto, se dirigida ao interior do ser, essa indagação pode trazer muito esclarecimento aos que dele necessitam.

É importante que não se construa mentalmente a resposta enquanto se faz a pergunta, pois isso tende a acontecer sempre que se criam expectativas com relação ao futuro. Ao querer saber ‘’o que não é essencial’’, não se deve conjecturar antecipadamente. O ser interior SABE o que deve ser deixado. Por esse motivo, a informação que nos chega a partir do centro da própria consciência leva em conta o nosso carma e tudo o que por enquanto ainda devemos fazer de compulsório. Não necessitamos nos preocupar com a resposta que virá, pois ela será justa e adequada.

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Quando conseguimos pôr fim às preferências, entramos no silêncio. Nesse caso, mesmo se falarmos o necessário, o silêncio permanece – porque nada se deseja. O mutismo e o controle da palavra, sem ausência de desejo, são apenas treinamentos que podem ser úteis, se não forem prolongados demais. O caminho para o silêncio, na verdade, leva o indivíduo a despir-se gradativamente dos desejos humanos; traz-lhe a possibilidade de praticar conscientemente o ato de escolher, sem deixar entrar em jogo suas preferências pessoais; ensina-lhe a tomar decisões a todo momento, sem, entretanto, ter desejado que esse ou aquele rumo prevaleça. Nesse caminho, há simultaneidade entre o que acontece e o que se faz diante do que acontece. É uma experiência de unificação. Maria sentada. É uma aos pés do viajante, não está ali porque ‘’prefere’’ estar, mas porque ‘’é’’ para estar. A partir dessa ação, correta e desinteressada, acontece o imprevisível no íntimo de Maria, imprevisível que depois reflete no seu exterior. A solidão de Maria, possível a a todos, não é isolamento, mas o estar inteiro no próprio estado de ser. A partir dessa solidão, torna-se possível o relacionamento que não termina em guerras, que não é meramente social nem ingenuamente amistoso.

O amor que cura a humanidade e o planeta não é premeditado nem construído artificialmente com conceitos, mas acontece quando chega o exato momento de a energia da alma passar pelos canais abertos, que são aqueles seres humanos que se dispõem a permanecer quietos, tranqüilos e desinteressados.

Extraído do Livro Do Irreal ao Real

páginas: 79-91

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