Amhaj

Para que possais trilhar a senda luminosa é preciso responder ao Chamado. Isso significa vencerdes provas, nas quais terão confirmado o vosso elo com a verdade e com a luz. Todos os seres, um dia, penetram essa senda e alcançam a Morada Celestial. Porém, eons se passam até que o ciclo se consume. Não vos intimideis frente ao mal. Não desafieis o inimigo. Não retardeis vosso caminhar pelo clamor do passado. A poeira dos tempos será lavada do vosso ser; novas vestes trajareis, e grande será o júbilo da libertação. Porém, nessa senda pisareis sobre rosas e espinhos, e devereis aprender o mistério do Bem. É tempo de justiça. É tempo de graças. Magnífico poder, o Irmão Maior se aproxima. Silenciai vosso coração e acolhei o grande amor. Tendes a Nossa paz.

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segunda-feira, 1 de julho de 2013

A função da Ayahuasca no trabalho espiritual


A Ayahuasca (ou Vegetal ou simplesmente o ‘’chá’’) – como é chamada a decocção do cipó Banisteriopsis Caapi (mariri ou jagube) da folha Psychothia Viridis (chacrona ou rainha) – é uma bebida utilizada nas sessões da Ordem para fins de aprofundamento espiritual. O chá utilizado em diversas seitas e religiões no Brasil e no mundo e sua utilização correta (isto é, benéfica para os participantes) é praticada pelas instituições confiáveis há várias décadas sem prejuízo a saúde, á economia ou á sociedade e de fato recebeu o status de ‘’Patrimônio da cultura Brasileira’’ por mérito adquirido; Estudos sérios foram feitos e ao contrário do que a ignorância da mídia insiste em alegar em um sensacionalismo barato, o chá, quando utilizado responsavelmente , traz benefícios á saúde e á sociedade atestado pela melhora da qualidade de vida daqueles que o utilizam nas religiões ayahuasqueiras onde tais estudos foram feitos.

Baseado nesses estudos existe uma carta de regulamentação federal e a recomendação de cadastro nas entidades competentes para todas as entidades sérias que fazem uso do chá para fins espirituais; seu consumo é apenas autorizado dentro de um trabalho espiritual sob a supervisão de um mestre experiente como é o caso da Ordem. Recentemente surgiram centenas de grupos da ayahuasca, muitos deles trabalhos legítimos, sérios e bem intencionados. Outros são manifestações em cópia das instituições de origem sem necessariamente garantia da seriedade e comprometimento dos líderes com o trabalho espiritual. Cabe apenas ao indivíduo avaliar o que é adequado e o que não é.

O estado proporcionado pelo chá é chamado de ‘’borracheira’’ que embora derive da mesma raiz epistemológica, nada tem a ver com o substantivo ‘’borracho’’ da língua espanhola que significa ‘’bêbado’’. A palavra no sentido adequado tem o sentido de ‘’bebedeira’’, pois nas cerimônias do chá todos os presentes bebem o chá ao mesmo tempo. Essa nomenclatura é apenas a derivação cultural do uso e não é importante. O que realmente importa no caso do Trabalho da Ordem é o seu uso e o funcionamento dele como descrito a seguir.

Para nós aqui, o chá tem um funcionamento que explico a seguir: O chá é uma ferramenta potencializadora; ele intensifica os estados internos (quaisquer que sejam) e nos coloca frente a frente com a nossa realidade interna para nosso deleite, no caso onde ela seja pura e equilibrada, ou para nosso desgosto e conscientização caso se esteja desequilibrado e cheio de coisas ruins. Na prática, todos nós temos coisas ruins e desequilíbrios internos que terão que ser trabalhados assim como também todos nós temos o deleite de um lugar ao sol por merecimento. Em termos práticos todo mundo passa por todos os tipos de experiências cedo ou tarde, pois elas fazem parte do crescimento e são comuns a todos os seres humanos.

Esse efeito potencializador acontece por uma razão simples que explicarei a seguir, mas antes será necessária uma introdução ao funcionamento do chá no ser humano.

O chá contém duas substâncias principais e cada uma delas tem um efeito individual que quando combinados gera essa potencialização. A primeira substância é o que se chama de IMAO; Inibidor de MonoAmino-Oxidase. A monoamino-oxidase é uma enzima cerebral que é liberada pelo organismo para destruir neurotransmissores em excesso. Os neurotransmissores são moléculas que facilitam as sinapses no cérebro (passagem de corrente elétrica entre neurônios) criando sensações ou efeitos como o prazer após exercícios físicos (endorfina), a saciedade e calma após comer uma barra de chocolate ou quando estamos apaixonados (serotonina) ou ainda quando substâncias externas são introduzidas para agirem no cérebro e provocarem efeitos desejados como disposição física acentuada (tipo a cafeína ou as anfetaminas). Essa monoamino-oxidase é liberada assim que o corpo nota uma descarga excessiva de algum tipo de neurotransmissor e ela reage quimicamente com ele (por oxidação) inutilizando aquela molécula e cortando seu efeito.

Essa substância presente no chá chamada IMAO é uma ‘’ molécula de sacrifício’’ para essa enzima. Uma vez que a outra substância chamada DMT (dimetiltriptamina) proveniente da folha comece a agir no cérebro, as enzimas serão liberadas e na presença dos inibidores vindo do cipó, elas atacam os IMAO ao invés do DMT deixando que ele atue livremente por aproximadamente quatro horas. De outra maneira o DMT nem mesmo chegaria a ter efeitos, pois em alguns minutos as enzimas o neutralizariam. Então o IMAO tem a função principal de dar passagem para o DMT agir. Bioquímica á parte, o efeito potencializador do chá acontece por uma razão muito curiosa que é o efeito da molécula do DMT sobre nós.

O DMT presente na folha que é ingrediente do chá é uma substância originalmente produzida pelo cérebro humano, dentro de uma glândula chamada glândula pineal – o famoso ‘’ terceiro olho’’ localizado entre os olhos na altura da testa e bem no meio do cérebro. Essa glândula, do ponto de vista científico cético tem poucas funções fisiológicas recém-descobertas como nos dar a sensação do dia e da noite, entre outras coisas. Do ponto de vista médico no espiritismo, eles creem que essa seja a ponte de conexão entre o espírito e o seu corpo físico através de um delicado mecanismo de ressonância magnética entre a vibração emanada pelo espírito e alguns misteriosos cristais (calcificações) que existem dentro da glândula pineal das pessoas.

O que é fato certo é que essa glândula produz certa quantidade de DMT e mantém armazenada em seu interior, sem jamais liberar, salvo em algumas situações. A pineal é protegida por diversas camadas de tecido e o acesso a ela exige uma intensa atividade cerebral como acontece apenas no nascimento e na hora da morte ou em situações de extremo stress ou perigo. Apenas tais situações forçam o despejo de DMT no cérebro humano e isso é a explicação científica para as ‘’ experiências de quase morte’’ como pessoas que viram um túnel de luz ou outras ‘’ visões’’ como essa. Embora isso seja parcialmente verdade o que acontece de fato vai um pouco além.

A presença do DMT no organismo é ‘’ a porta de entrada e também de saída’’ fisiológica do espírito no corpo. Não que se a pessoa tiver uma dose grande de DMT ela irá morrer, longe disso. É apenas uma ferramenta para uma chegada suave e uma saída macia nessa vida corpórea. Se o espírito fosse uma cião, o DMT no corpo seria o trem de pouso. Na prática o DMT do chá nos dá a sensação de estarmos ‘’ meio fora do corpo’’ como uma espécie de ativador da sensação extracorpórea. É um aviso fisiológico para certo desprendimento do espírito do corpo. Obviamente isso não oferece risco de morte, pois o corpo continua vivo e conectado ao espírito em pleno funcionamento. Tomando os cuidados básicos, as chances de morrer durante o efeito do chá são as mesmas de você morrer aqui e agora lendo esse livro. Talves até menores. Então o que experimentamos nesse estado é uma espécie de morte parcial ainda em vida e a consequente percepção alterada desse ponto de vista menos ‘’ ensimesmado’’ do que temos cotidianamente.

Essa saída parcial fora de si mesmo afrouxa um pouco as estruturas internas fortemente amarradas – aquelas coisas que os idosos sentem que ficam mais rígidos e intolerantes com o passar do tempo – e facilita a dissolução dos nós internos através da percepção e do compromisso consigo mesmo e com o trabalho. Ao mesmo tempo ela potencializa tudo o que existe no interior que antes estava comprimido e sufocado e agora se encontra mais livre e com mais espaço para se manifestar. A conclusão disso é que para aquelas situações onde nossos nós internos estejam em evidência, eles nos parecerão muito mais intensos e vívidos do que a nossa realidade insípida pode notar até então, e da mesma maneira nossos prazeres e bênçãos que por vezes nem prestamos atenção se tornarão intensos e vívidos na mesma proporção para que experimentemos o prazer de nossa capacidade e tenhamos fé para continuar quando esta exigir sacrifícios.

Esses nós dos quais falamos aqui são as nossas ilusões nas suas formas mentais – ideias erradas, conceitos falsos ou parciais, autoimagem inflada – ou emocionais – traumas e dores congeladas na alma vindas do passado, apegos e medos de todos os tipos – e físicas – dores e desconfortos físicos, doenças de origem ou de colaboração psicossomática para seu agravamento, aparência e modos desagradáveis refletindo uma autoimagem negativa e talvez até mesmo uma autopunição. Enfim, são muitos os nós possíveis e são todos interconectados em um emaranhado que se sobrepõe ao nosso Ser e nos dá a falsa sensação que a realidade é daquele jeito mesmo, quando na verdade é apenas a luz da realidade filtrada pela lente desses nós. Assim o é na vida e mais visivelmente ainda na borracheira.

Então na prática tudo (ou quase tudo – aquilo que não vier do ambiente no entorno) que se vê na borracheira (que é como chamamos o estado provocado pelo chá) é apenas interno e não significa que tenha importância em si. É útil para que possamos ver com clareza, como se olhássemos a nós mesmos por dentro com uma lupa onde tudo fica magnificado e tomarmos atitudes práticas segundo o direcionamento do trabalho para adquirir mais e mais liberdade. Esse estado dilui as camadas mais superficiais da personalidade – tudo aquilo que não somos nós em essência – afrouxando os amortecedores (pelo menos no início) e o nosso SER REAL consegue se manifestar tão puramente quanto possível através daquela esfera de fios emaranhados que são nossas ilusões e apegos emocionais nocivos. Para aqueles mais libertos, esse estado é sempre puro e merecido êxtase divino.

O uso do chá nas sessões tem apenas a utilidade de servir como um ‘’ laboratório para a vida’’ onde cada um faz o que se pode para vencer a si mesmo e crescer em liberdade internamente e se tornar capaz de fazer a mesma coisa na vida. Ali habilidades de valor interno são treinadas e desenvolvidas e essas mesmas habilidades serão postas em prática na vida pessoal para manifestar fora o que já existe dentro. Usamos a ferramenta para mostrar como é possível a cada um experimentar a vida de uma forma melhor, em caráter de vislumbre; a tarefa de cada um é chegar lá sem o chá na vida cotidiana através de mérito adquirido pelo trabalho interior.

Assim, o uso do chá por si só ou como ferramenta recreativa é não apenas inútil como também nocivo. Embora tenha certo caráter de vislumbre do que é possível o que acaba acontecendo na média é uma confusão do que é possível como o que é real. A simples ingestão do chá sem um trabalho prático de melhora da condição de vida associado a ela se torna um ‘’ trabalho espiritual’’ que não traz melhora para a pessoa; apenas um monte de ilusões e mistificações emocionais que não são muito mais do que novas e elaboradas ilusões. Existe nesses casos o risco da pessoa confundir o estado possível vislumbrado com o estado presente e daí descambar a tirar suas próprias conclusões sobre sua magnificência. Na melhor das hipóteses a pessoa está sendo levada a crer que participa de um trabalho espiritual sendo que aquilo não trará resultados e levará a frustração inevitável cedo ou trade. Esse é o melhor dos casos.

Mesmo dentro dos trabalhos que se utilizam o chá, o trabalho da Ordem difere muito em abordagem e objetividade, embora tenha a mesma ressonância que todos aqueles que buscam a alegria e o amor através da conduta adequada e do mérito pessoal. Em termos práticos, as exigências de pré-requisitos e empenho pessoal são muito altas. Proporcionalmente o rendimento de melhora é muito acelerado e profundo. Tudo o que é possível dar, é dado muito facilmente aqui – isso faz com que aqueles com capacidade de fazer a sua parte interna disparem no sentido da melhora. Para aqueles que não desempenham tão bem a sua parte têm duas opções: ou se animam para confiar e fazer melhor, ou se sentem intimidados e feridos na autoimagem e acabam deixando o trabalho. Isso é assim porque nem todos têm a mesma disposição (já que esse desempenho não é questão de capacidade) para dar os saltos de fé.

Para esse e todos os outros saltos é necessário essa Fé e vou dar uma sugestão de como aplica-la aqui de maneira bem prática e sintética baseados nos três níveis de suas manifestações mais comuns;

1. Aquela pessoa que ‘’ acredita ’’ em tudo sem ponderar e avaliar dentro de si; acredita levianamente, cria expectativas e acaba se frustrando.

2. Aquela pessoa que ‘’ não acredita em nada’’ como se alguém estivesse á espreita para lhe roubar algo ou tentar lhe convencer de algo ruim; sem acesso nenhum ao seu Ser, fica presa em si mesma e se sente ao mesmo tempo sufocada e hipersensível (tudo lhe dói ou lhe incomoda).

3. Aquela pessoa que avalia com bom senso, ponderando em seu coração e dando livre passagem para aquilo em que decide confiar, atento a todo instante para saber que influências deixa entrar e quais são bobagens que devem ser descartadas; essa pessoa junta a leveza e a segurança dos dois anteriores e ainda consegue seguir adiante da maneira necessária para o trabalho.

Cada um tem o direito de fazer o que quiser e insistir no erro o quanto suportar; estas são as três opções mais comuns. No fim das contas a escolha é sua.


Retirado do livro de Marcel costa – O Trabalho Interno – uma síntese da espiritualidade moderna

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